Partindo-se da proposta de comparar nossa percepção do espaço a partir de uma visita virtual ao Parque Municipal de Belo Horizonte através do Google Street View com nossa experiência real por meio de uma aula presencial no parque, tem-se que diversas diferenças podem ser observadas entre ambas as formas de ver e sentir o ambiente. Primeiramente, durante a discussão acerca do tema pelos alunos e professores, teve-se como principal argumento que, apesar de o grau de realidade alcançado pelo Google Street View ser altíssimo, trata-se de um espaço meramente visual e congelado, sem a presença de elementos de outros sentidos (como o tato, o olfato e a audição) que também compõem o lugar. Outro fator muito comentado foi a questão da aleatoriedade dos eventos que ocorrem no espaço real e a dificuldade de sua reprodução virtual, melhor explicando: passeando-se presencialmente no parque, surgiram diversas pessoas e animais que abriram inúmeras possibilidades de interação, o que não poderia ocorrer virtualmente, a não ser que algo estivesse "programado previamente" a acontecer ou aparecer, lesando a surpresa, o surpreendimento. É importante lembrar também que, para aquecer ainda mais as discussões, os professores ressaltaram que a tecnologia pode reproduzir todos os fatores que destacamos como decadentes no Google Street View (como sentidos de tato, paladar, cheiros, surpresas, etc.), porém, chegou-se à conclusão de que não importa o quão próximo do real uma experiência virtual pode chegar, esta jamais substituirá a realidade propriamente dita em sua totalidade, pois apresenta algumas limitações (ao exemplo da atual impossibilidade de criar um evento totalmente aleatório no meio computacional). Levando-se tais fatos em conta, surgem duas perguntas principais: qual o limite da tecnologia na representação e, em parte, na substituição de relações e experiências reais?; e: se se concluiu que a percepção real é melhor que a virtual, por que ainda utilizamos com tanta frequência (e cada vez mais) a tecnologia e suas ferramentas? Quanto à primeira pergunta, sua resposta depende da criatividade humana e das necessidades que criamos no decorrer do tempo; já com relação à segunda pergunta, tem-se que as ferramentas tecnológicas trazem certa comodidade e facilitam o cotidiano das pessoas, agilizando o transporte de coisas, pessoas e informações, de modo que, por mais que uma chamada de vídeo no skype ou whatszapp não sejam, por exemplo, a melhor forma de rever alguém querido, ainda é melhor que a completa falta de contato em meio à impossibilidade de ver aquela pessoa pessoalmente.
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