O texto “Animação Cultural”, de
Vilém Flusser, tem como tema a relação existente entre os homens e os objetos, que
é abordado de forma fictícia a partir de uma narração em primeira pessoa por
uma Mesa-redonda. O personagem narrador discorre acerca da necessidade de
criação de uma Declaração dos Direitos Objetivos em função da importância dos
objetos e do seu papel dominante sobre a humanidade. Desse modo, enquanto na
perspectiva humana os objetos são criados pelos homens para servi-los, no texto
parte-se da premissa de que os homens são, progressivamente, dependentes dos
objetos para sua evolução e sobrevivência. Esse contexto de inversão de papéis
na relação homem-objeto, segundo o texto, tem ocorrido gradativamente a partir
dos avanços tecnológicos na fabricação de aparelhos, de modo que as máquinas
estão cada vez mais autônomas e os homens precisam cada vez menos realizar
atividades criativas, reflexivas e produtivas, uma vez que os objetos já são
produzidos e programados para desempenhar tais funções. É interessante destacar
que, apesar de a Mesa-redonda mencionar que a revolução objetiva que fará com
que os homens passem a viver em função dos objetos ainda precisa ser realizada,
o aluno Lucas Muniz considerou a possibilidade de tal evento já estar ocorrendo,
uma vez que nossas rotinas e modo de vida já são, em boa parte, controlados
pelos objetos que nos cercam em nosso cotidiano, o que é, de fato, algo
perceptível na sociedade contemporânea. Por outro lado, apesar de a humanidade
já funcionar de modo considerável em função dos objetos, Letícia Ernandes apontou
que os homens ainda têm valores culturais que influenciam fortemente em suas
criações e vivências, o que as diferenciam dos padrões e cálculos
pré-programados aos quais as produções realizadas por máquinas estão
condicionadas. Outro entendimento interessante sobre o texto que foge dessa ideia de dominação parte da concepção de que a ação do homem
sobre o mundo (interpretada pela criação de objetos) gera uma reação do mundo
sobre o homem (representada pela atuação dos objetos na vida humana), o que,
segundo alguns alunos, simboliza uma relação bilateral de dependência entre
homens e objetos, sem dominância de um sobre o outro, porém, com a necessidade
de reconhecimento desse fato pelo homem para o estabelecimento de um
relacionamento saudável entre a humanidade e suas invenções.
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